segunda-feira, 28 de março de 2011

Augusto dos Anjos

Faço uma simples dedicatória para um grande e famoso poeta que adimiro. Augusto dos Anjos sempre me atraiu com sua literatura firme e fúnebre, gosto disso, porque quando falamos de poemas, pensamos logo em amores, romançes, paixões (entre outros) só coisas belas, coisas que não existiram no vocabulário de Augusto. Incrivelmente ele consegue fazer com que  o cadavérico, a morte em si, crie vida nos seus poemas. A morte é um assunto de muitas discurssões no mundo inteiro, (para onde vamos após a morte?) não se sabe, mas sabemos que ela virá, isso é inevitável, Augusto dos Anjos fazia questão de enfatizar essa linha de pensamento em seus versos. Nasceu na Paraíba, se inscreveu na faculdade de direito de Recife onde se forma e retorna à Paraíba para dar aulas particulares e exercer seu cargo de promotor público, faleceu com pneumonia. Seus poemas em si são cheios de desânimo e pessimismo além de muitas metáforas. Na sua literatura percebemos vários conflitos do Homem com a natureza, ele trata a natureza do homem como algo escatológico, podre, a carne humana que a terra irá um dia consumir ''do pó vieste, ao pó voltarás''
Ele cita em um dos seus poemas ''Alucinação a beira mar'' > (no eterno horror das convulsões marítimas, pareciam também corpos de vítimas, condenados à morte, assim como eu).
Outro verso que me chama atenção ''A árvore da serra''
- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs alma nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha alma!...
- Disse – e ajoelhou-se, numa rogativa:
“Não mate a árvore, pai, para que eu viva!”

E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!

Outro verso que eu gosto, por sinal muito famoso ''Versos íntimos''

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

suas obras foram várias, vou fazer uma última postagem aqui, coloquei as que eu mais gosto mesmo ;)  ''Piscologia de um vencido''
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

será que ele era depressivo? KKKKKKKKKKK
brincadeiras à parte, ele foi um grande poeta!!

terça-feira, 1 de março de 2011

O jurista dialético



Voltando a falar de direito, focando a interpretação jurídica, estou sendo preparada para enfrentar o discurso  com seus variados pontos de vista ''o conflito em si''.
Aprendi que no tribunal, teremos que enfrentar muito mais do que uma simples aplicação da lei, enfrentaremos a difícil ''dialética dos conflitos''. O conflito não virá fácil, e não ficarão em cima do muro....teremos que resolve-lo ou perdemos de vez. O estudante de direito que quer ser advogado, ou será trapaceiro ou será intérprete jurídico, e o ato da dialética jurídica, não consiste na verdade pessoal de cada um ''eu acho isso e eu acho aquilo'' ou ''será o que eu acho '' consiste na flexibilidade da análise de todos os lados da face, ou seja, do conflito. A dialética das leis é uma ciência... você lê individual e depois joga de acordo com cada problema. Sendo assim, somos co-autores da lei, porque cada advogado lê com suas próprias opniões, mais compreende e aplica a partir do mundo em que habita.
Usarão de todas as formas possíveis para nos tirar da dialética, um exemplo disso é a aparência, uma boa aparência conta muito nesta área do direito. Um professor de direito nos disse na sala um caso que me chamou atenção....ele disse que uma vez foi pedir um habeas corpus, quando olhou para a advogada, disse que quase pedia um autógrafo para ela, a mulher era linda, bem vestida e rosto bonito ''quase tinha desistido do habeas corpus'' kkkkkkkkkk.
É no momento interpretativo que elevamos o termo (verdade jurídica). Relembrando o papel do jurado no julgamento: ele escuta a acusação e a defesa, interpreta as duas partes, chegando então a uma verdade. O réu é culpado ou inocente ? quem decidirá são os jurados baseados na promotoria e na defesa. Se não tivermos uma boa dialética, não passaremos dos acontecimentos existentes, pois os jurados só julgam o que podem ver ''O fato existe, mas temos que interpreta-lo de acordo com a situação e traze-lo para dentro do processo'' reafirmando que a dialética privilegia a busca do conhecimento de algo que não se apresenta de forma clara.
''...compreender o mundo significa interpreta-lo como linguagem'' (Heidegger)